segunda-feira, 13 de junho de 2016

Sobre a solidão acadêmica

O que eu vou dizer aqui não deve ser novidade para muitos como eu, cientistas iniciando uma carreira: a solidão acadêmica dói. Quem já sentiu entende, mas para você, sortudo, que desconhece esse fenômeno, aí vai uma explicação simples: você está perdido e não há ninguém para "iluminar" seu caminho.

Imagine que você terminou seu mestrado, doutorado ou mesmo seu pós doc e está por aí tentando um novo projeto, em um novo laboratório. Todos sabemos que está mais fácil encontrar o Bono na rua e pedir um autógrafo do que ser agraciado com uma bolsa CNPq/Capes nesta crise. Alguns poucos encontraram o Bono, outros (pouquíssimos) conseguiram a bolsa, mas os cagados mortais como eu seguiram com "nenhuma das alternativas". Neste momento, tudo que eu e você podemos desejar é alguém para te dizer "amigo, segue por aqui", "escreve para o prof. X" ou "tenta a bolsa no país Y, tá bem favorável"... mas se você teve um péssimo PI você está sozinho.

E o que fazer neste momento?

Gostaria de saber, caro amigo. Estou procurando a resposta.
Mas para você, que ainda está fazendo sua IC, MS, DR ou PD, minha dica é sempre procurar por um bom orientador. Bom não significa legal, bonzinho, camarada, colega de bar... nada disso... bom significa engajado, disposto a correr atrás de financiamento, comprar briga e sentar com você para resolver problemas, dúvidas e te ensinar a escrever seus papers, relatórios. Te garanto que é disso que você precisa. Minha experiência me ensinou que nenhum orientador vai sentar contigo e te ensinar o básico: essa será a tarefa de seus colegas/amigos, um pouco mais experientes (se você tiver sorte). Na pior das hipóteses, você se descobrirá autodidata e usará o cérebro e muitos, muitos livros e papers para se descobrir autodidata. Ao seu PI, cabe sempre a tarefa de te ajudar a entender como apresentar seus dados, como se defender de críticas e como ser independente no futuro... mas para isso, o laboratório dele tem que funcionar e você tem que ter a cabeça livre de outras preocupações como pagarei minhas contas, Jesus?. Afinal, ciência é sua profissão e apesar de muitos não compreenderem, você vive dela. 

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