... está mais fácil achar ouro no seu quintal do que abrir um edital de bolsas além do Cronograma fixo do CNPq.
Ser cientista no Brasil, nos dias de hoje, é desesperador.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
terça-feira, 5 de maio de 2015
Sobre a realidade do cientista no Brasil
Hoje o texto é um desabafo mesmo. Podem me jogar ovos, tomates... me crucifiquem.
Quem já participou do CsF (ou Ciências sem Fronteiras, para os íntimos) sabe bem que existe uma cláusula no contrato exigindo que o beneficiário retorne ao Brasil após o término dos estudos e no país permaneça. Ainda, o ex-bolsista deve se comprometer com atividades relacionadas (leia-se, científicas) a fim de retornar/compartilhar/aplicar o conhecimento adquirido no exterior com a nossa sociedade.
Me parece digno, justo.
Mas, não acaba aí. Vejam só: você volta ao Brasil cheio deamor pra dar ideias novas e submete um novo projeto para dar continuidade ao seu treinamento científico e aplicar o conhecimento adquirido/compartilhar tal com estudantes, professores e muitas vezes também com leigos (porque não?!).
E o que acontece?
Seu projeto é negado por falta de verba.
Me diz, Brasil, aonde aplicar o tão famigerado "conhecimento adquirido"? No jardim da minha casa? No boteco da esquina? E quem paga as minhas contas ??
Não vivemos de luz ainda, infelizmente.
Bolsista/Cientista no Brasil deveria receber adicional por trabalho em ambiente hostil, em condições precárias, por alta periculosidade. Mas a verdade é que, na "pátria educadora", quando o orçamento aperta, as primeiras verbas a serem cortadas são as da educação. Milhares de estudantes e pesquisadores são enviados anualmente ao exterior para que retornem ao Brasil e engordem a fila dos desempregados altamente qualificados. Daí me pergunto: para que? Cientista no Brasil não é levado a sério: cientista nem é uma profissão reconhecida (legalmente e ilegalmente, podemos dizer).
E não para por aí. Educação nunca foi prioridade de nenhum governo brasileiro. Professores do Paraná estão aí para mostrar o amor e o respeito que recebem por educar nossas crianças em troca de salários dignos de uma comédia do tipo mais vagabundo que se pode imaginar. Ao olhar para essas fotos é impossível não lembrar dos tempos da ditadura militar. Aquela que deixou saudade em muita gente por aíe que parece ter fugido da escola e nunca ter aberto um livro da história na vida.
E para finalizar meu momento revolta, já que falamos em ditadura, meu recado para o ministro da educação:
Quem já participou do CsF (ou Ciências sem Fronteiras, para os íntimos) sabe bem que existe uma cláusula no contrato exigindo que o beneficiário retorne ao Brasil após o término dos estudos e no país permaneça. Ainda, o ex-bolsista deve se comprometer com atividades relacionadas (leia-se, científicas) a fim de retornar/compartilhar/aplicar o conhecimento adquirido no exterior com a nossa sociedade.
Me parece digno, justo.
Mas, não acaba aí. Vejam só: você volta ao Brasil cheio de
E o que acontece?
Seu projeto é negado por falta de verba.
Me diz, Brasil, aonde aplicar o tão famigerado "conhecimento adquirido"? No jardim da minha casa? No boteco da esquina? E quem paga as minhas contas ??
Não vivemos de luz ainda, infelizmente.
Bolsista/Cientista no Brasil deveria receber adicional por trabalho em ambiente hostil, em condições precárias, por alta periculosidade. Mas a verdade é que, na "pátria educadora", quando o orçamento aperta, as primeiras verbas a serem cortadas são as da educação. Milhares de estudantes e pesquisadores são enviados anualmente ao exterior para que retornem ao Brasil e engordem a fila dos desempregados altamente qualificados. Daí me pergunto: para que? Cientista no Brasil não é levado a sério: cientista nem é uma profissão reconhecida (legalmente e ilegalmente, podemos dizer).
E não para por aí. Educação nunca foi prioridade de nenhum governo brasileiro. Professores do Paraná estão aí para mostrar o amor e o respeito que recebem por educar nossas crianças em troca de salários dignos de uma comédia do tipo mais vagabundo que se pode imaginar. Ao olhar para essas fotos é impossível não lembrar dos tempos da ditadura militar. Aquela que deixou saudade em muita gente por aí
Fonte: Google
E para finalizar meu momento revolta, já que falamos em ditadura, meu recado para o ministro da educação:
domingo, 25 de janeiro de 2015
Sobre ser Chefe
Errado está aquele que pensa que é apenas legal ser chefe. Não creio que seja assim, simples. Ser chefe não é apenas liderar, dar ordens e aguardar (pacientemente) que estas sejam cumpridas, esperar que os resultados caiam na sua mesa, enquanto você bebe calmamente seu café.
Ser orientador, então, é ainda pior. Como a palavra diz, orientador é aquele que deveria orientar, guiar o aspirante a cientista (biólogo ou não) por entre os caminhos da boa ciência, honesta e ética. Ao orientador, cabe mostrar ao pupilo que boas ideias surgem de muita leitura e que bons resultados são filhos do esforço e da dedicação de ambos, orientador e orientado, e não apenas de uma das partes envolvidas. Afinal, como esperar que um aspirante seja brilhante ao ponto de idealizar, realizar, analisar e colocar no papel a sua ciência, tudo sozinho? Ele é apenas um aprendiz. Igualmente, onde ficaria o processo de aprendizado se quem executasse todo o trabalho fosse aquele que tem o conhecimento e que deveria passar este adiante?
Orientador e orientado: uma relação de amor e ódio.
Aos 30 e poucos fui obrigada a rever meus conceitos sobre o que é ser um orientador e que tipo de orientador eu quero ser.
Aos 20 e poucos, na minha pouca experiência, achava que, profissionalmente, ser um bom orientador se resumia a ensinar o caminho: escrever projetos que garantiriam o meu financiamento, analisar os dados, compreender os processos biológicos envolvidos e por fim "vendê-los" de forma a emplacar o artigo em uma boa revista. Pessoalmente, um bom orientador era aquele com quem eu poderia conversar abertamente, sem medo e sem caras feias, sem me perguntar qual era o humor da pessoa naquele dia para então, direcionar as minhas perguntas e pedidos de socorro sem ser escorraçada porta a fora.
Passados alguns anos e outros laboratórios, vejo que a situação é ainda mais complexa do que eu imaginava, vejam só. Além de ensinar e garantir que o aluno aprenda a fazer ciência de qualidade, o orientador tem que garantir que o aluno tenha condições de executar seu projeto, o que significa:
a) um laboratório equipado (reagentes, máquinas, dinheiro para as despesas)
b) alunos dedicados exclusivamente ao projeto (ou seja, que tenham como pagar suas contas)
c) orientador comprometido com o grupo de pesquisa
d) todas as anteriores
Sim, eu não pensava muito sobre de onde vinha o dinheiro que pagava meus reagentes, sobre quantos projetos meu orientador teve que escrever e sobre como administrar os recursos e distribuir igualmente entre projetos distintos. Vida complicada. Sim, talvez eu não pensava muito no quanto eu era privilegiada em ter uma bolsa e viver dela, sendo que parte da responsabilidade por eu usufruir deste privilégio vinha do currículo "gordo" do meu orientador. E por fim, de que adiantaria infraestrutura e dinheiro se na "hora H" meu amado chefe estará de férias em algum lugar paradisíaco ao invés de estar ali para me dar aquela dica amiga antes de enviar o artigo para revisão? Sabias perguntas, que deixam clara a resposta certa.
Ser orientador é uma tarefa complexa e que exige muita visão daquele que a assume. Os alunos confiam em você, dependem de você para utilizar de forma exemplar o dinheiro neles investido. Os alunos precisam do seu comprometimento em garantir um ambiente no qual o trabalho possa fluir sem preocupações do tipo "terei dinheiro/reagentes/máquinas operando normalmente para finalizar meu experimentos?" Ou pior: "terei uma bolsa que pague as minhas contas e me permita terminar meu projeto no tempo previsto?" Ser orientador é exemplo. Ou deveria ser. É com ele que você aprende que ciência é amiga da responsabilidade e que, uma vez assumido, um projeto tem por obrigação que ser finalizado. É um compromisso entre duas pessoas com a ciência e com todos aqueles que pagam para que os laboratórios e as universidades/institutos de pesquisa mantenham suas portas abertas. Então, caros amigos orientadores no presente, passado e futuro, sejamos conscientes: aluno é igual a filho. Uma vez que você assumiu, tem que cuidar. Com carinho.
Ser orientador, então, é ainda pior. Como a palavra diz, orientador é aquele que deveria orientar, guiar o aspirante a cientista (biólogo ou não) por entre os caminhos da boa ciência, honesta e ética. Ao orientador, cabe mostrar ao pupilo que boas ideias surgem de muita leitura e que bons resultados são filhos do esforço e da dedicação de ambos, orientador e orientado, e não apenas de uma das partes envolvidas. Afinal, como esperar que um aspirante seja brilhante ao ponto de idealizar, realizar, analisar e colocar no papel a sua ciência, tudo sozinho? Ele é apenas um aprendiz. Igualmente, onde ficaria o processo de aprendizado se quem executasse todo o trabalho fosse aquele que tem o conhecimento e que deveria passar este adiante?
Orientador e orientado: uma relação de amor e ódio.
Aos 30 e poucos fui obrigada a rever meus conceitos sobre o que é ser um orientador e que tipo de orientador eu quero ser.
Aos 20 e poucos, na minha pouca experiência, achava que, profissionalmente, ser um bom orientador se resumia a ensinar o caminho: escrever projetos que garantiriam o meu financiamento, analisar os dados, compreender os processos biológicos envolvidos e por fim "vendê-los" de forma a emplacar o artigo em uma boa revista. Pessoalmente, um bom orientador era aquele com quem eu poderia conversar abertamente, sem medo e sem caras feias, sem me perguntar qual era o humor da pessoa naquele dia para então, direcionar as minhas perguntas e pedidos de socorro sem ser escorraçada porta a fora.
Passados alguns anos e outros laboratórios, vejo que a situação é ainda mais complexa do que eu imaginava, vejam só. Além de ensinar e garantir que o aluno aprenda a fazer ciência de qualidade, o orientador tem que garantir que o aluno tenha condições de executar seu projeto, o que significa:
a) um laboratório equipado (reagentes, máquinas, dinheiro para as despesas)
b) alunos dedicados exclusivamente ao projeto (ou seja, que tenham como pagar suas contas)
c) orientador comprometido com o grupo de pesquisa
d) todas as anteriores
Sim, eu não pensava muito sobre de onde vinha o dinheiro que pagava meus reagentes, sobre quantos projetos meu orientador teve que escrever e sobre como administrar os recursos e distribuir igualmente entre projetos distintos. Vida complicada. Sim, talvez eu não pensava muito no quanto eu era privilegiada em ter uma bolsa e viver dela, sendo que parte da responsabilidade por eu usufruir deste privilégio vinha do currículo "gordo" do meu orientador. E por fim, de que adiantaria infraestrutura e dinheiro se na "hora H" meu amado chefe estará de férias em algum lugar paradisíaco ao invés de estar ali para me dar aquela dica amiga antes de enviar o artigo para revisão? Sabias perguntas, que deixam clara a resposta certa.
Ser orientador é uma tarefa complexa e que exige muita visão daquele que a assume. Os alunos confiam em você, dependem de você para utilizar de forma exemplar o dinheiro neles investido. Os alunos precisam do seu comprometimento em garantir um ambiente no qual o trabalho possa fluir sem preocupações do tipo "terei dinheiro/reagentes/máquinas operando normalmente para finalizar meu experimentos?" Ou pior: "terei uma bolsa que pague as minhas contas e me permita terminar meu projeto no tempo previsto?" Ser orientador é exemplo. Ou deveria ser. É com ele que você aprende que ciência é amiga da responsabilidade e que, uma vez assumido, um projeto tem por obrigação que ser finalizado. É um compromisso entre duas pessoas com a ciência e com todos aqueles que pagam para que os laboratórios e as universidades/institutos de pesquisa mantenham suas portas abertas. Então, caros amigos orientadores no presente, passado e futuro, sejamos conscientes: aluno é igual a filho. Uma vez que você assumiu, tem que cuidar. Com carinho.
Assinar:
Postagens (Atom)

